PROFISSÃO: PAIS DE ATLETAS!

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Haja coração! Eles gritam, sofrem, choram, brigam, comemoram! Só quem tem um filho(a) atleta sabe o que é esse combo de emoções. Desde o primeiro incentivo à prática esportiva até o financiamento de viagens para acompanhar torneios, são eles os torcedores mais fiéis das equipes.

Dalry Gomes, pai da jogadora Deborah Luiza, da equipe de vôlei do Mackenzie, vivência diariamente as dores e as delícias de ser pai de atleta. Aposentado, ele tem a oportunidade de acompanhar os treinos e assistir todas as partidas. E olha que são muitas! Já que a filha, de 13 anos, faz parte das equipes sub-14, sub-15 e sub-16. “Faz uma diferença enorme ter essa torcida, ele me apoia muito”, contou Deborah.

O torcedor número 1 da jogadora já é conhecido entre os outros pais. De tanto gritar, fica rouco durante as partidas, leva um pandeiro para animar a turma e ainda reúne outras famílias em comemorações pós-jogo. Mas mesmo com participação tão ativa, ainda não acostumou com as emoções um quinto set! “Ano passado, em um tie-break, contra o time de Varginha, fui para o saque e meu pai começou a filmar. Eu fiz uns quatro ou cinco aces, ele tremeu tanto que deixou o celular cair no chão. Tenho a gravação até hoje, toda tremida”, se diverte Deborah.

O incentivo à prática de esportes é uma tarefa já comum por pais e parentes, mas quando a criança ou jovem entra para uma equipe esportiva, aumenta a responsabilidade da torcida. Para a psicóloga Fernanda Alves, é fundamental o apoio dos familiares durante a formação do atleta. Mas é preciso sempre equilibrar torcida com cobrança. “É uma linha tênue entre construir uma influência positiva e ter fazer uma pressão excessiva. Os pais precisam entender o limite do filho e, principalmente, auxiliarem nas derrotas. Não são apenas os atletas que precisam aprender a perder, a torcida também precisa”, explica.

Marilene Palhares, mãe do atleta Luiz Henrique, da equipe sub-12 de basquete, disse que sofre com as derrotas, mas sabe da importância desses momentos para o amadurecimento dos atletas. E reconhece esse trabalho de conscientização também pelos treinadores: “eu acho que a comissão técnica do Mackenzie é diferenciada. Eles têm um carinho muito grande com os meninos nas vitórias e, principalmente, nas derrotas. É um trabalho construtivo que estimula o atleta e não o faz desistir quando encontra um obstáculo”.

A psicóloga também lembra que cada atleta tem características individuais. “É necessário considerar limites da idade, desempenho psicofísico, características pessoais e importância do momento. Não é aconselhável criar um clima de ansiedade por um amistoso como se cria em uma final de campeonato”, adverte. A profissional também pontuou os “deveres de casa” dos pais: “Torçam, estimulem a concentração, motivem, trabalhem o estresse, ajudem no auxílio aos estudos, ensinem com as derrotas e estejam em momentos decisivos!”.

Os pais da atleta Isabela Schwindt, que nada no clube há dois anos, também seguem os conselhos, fazem questão de acompanhar todas as competições e de viajar com a filha, seja onde for. “Estamos ansiosos para a próxima, que é o Campeonato Brasileiro, em Santos”, conta Jussara Schwindt. E já estão preparando o coração: “toda mãe sofre, mas acho que meu sofrimento é mais longo, a Bela gosta de provas longas, eu fico durante os 800 metros desesperada, do lado de fora da piscina”. E, no caso de Jussara, a profissão “pai de atleta” é quase literal. Profissional de fisioterapia, auxilia os atletas antes e depois das provas: “eles pedem, os pais pedem… acabo ajudando a soltar a musculatura. Meu marido, Henrique Azevedo, é educador físico e também ajuda no que pode”.